O filme me fez beirar as lágrimas. Eu já li ou ouvi antes essa frase? O "as" deveria ter crase? Tive a impressão de ter visto antes o filme, mas só cheguei a essa conclusão quando ele se aproximava do fim. Eu me emociono com facilidade e me tocou ver tanta desgraça reunida ao mesmo tempo, o clima natalino, os caminhos misteriosos que se tornam dolorosos por caprichos divinos... A velha que queria morrer, o sujeito alcoólatra, a mulher desesperada com a situação do marido acidentado, o pastor que via claudicar sua fé e assim por diante. Comi vorazmente o chocolate e passei o dorso das mãos sobre os olhos. Pior de tudo: esqueci o nome do filme. E tenho preguiça de relatar agora o enredo. De vez em quando é bom acreditar que somos os mocinhos de um filme cujo diretor está sentado num trono no céu.
Rápidas e Sorrateiras
Rápidas: não temos tempo a perder em meio ao desperdício nosso de cada dia. Sorrateiras: síntese da contradição humana...
31/12/2011
30/12/2011
RITUAL DE FIM DE ANO
Fim de ano. E todos aqueles rituais. A roupa branca, o mar, a champanhe e assim por diante. Sempre me senti estranho nesses momentos. Simplesmente por não compartilhar a euforia que todos sentem. Já passei o fim de ano de tudo que é jeito, dias especiais como outros tantos. A questão é: os rituais sociais nunca me tomaram. O termo é esse: tomar. No sentido de incorporar. A propósito, um caso. Fiz parte de um ritual espírita, todos receberam santo, incorporaram, menos eu. O carnaval não me contagia; a escatologia não me interessa; a euforia, a utopia... O que não significa dizer que não participe, que não curta, mas do meu jeito. Mas quem não faz parte da "matix" é encarado como alguém estranho e sente na pele muitas vezes a discriminação. No passado, eu ficava incomodado; hoje, penso no assunto de forma emancipada, isto é, após muitos estudos, consigo perceber claramente a lógica social, sua pertinência e como devo proceder nesses momentos...
26/12/2011
MAMONAS
O documentário Mamonas para Sempre me fez reviver o estrondoso sucesso da banda. Na época eu não gostava deles, por considerar muito comercial o ritmo frenético de suas apresentações, que incluíram "domingões" e "banheiras do Gugu". Mas é inegável que as letras eram engraçadas e o som empolgante. A morte prematura e trágica os elevou à categoria de mito. Morreram em 1996, caramba! O tempo passou rapidamente e me recordo do dia em que soube da notícia. A comoção de gente que era adolescente e hoje deve estar em plena maturidade. Eu gosto de documentários, ainda mais quando me fazem refletir e sonhar.
01/12/2011
FELIZMENTE
A palavra nunca deveria ser banida do dicionário. Quantas coisas afirmamos categoricamente para deixar que o tempo se encarregue de nos desmentir. Melhor assim. As coisas definitivas são aquelas que não mudam e a mudança é necessária à renovação a vida. Escrevo esse pequeno texto diante de meus maiores pesadelos. E eu os procurei, o que talvez seja pior. O dado novo é a minha extrema tranquilidade. O tempo nos faz imune às bobagens. Felizmente...
28/11/2011
NUM QUARTO ABANDONADO
Quase bati para entrar. O blog se tornou um quartinho pouco usado. Não que eu tenha passado a considerar que as palavras não sejam um bom instrumento de reflexão. É pura falta de tempo mesmo. E motivação, sim, é verdade. Eu não preciso de leitores; os poucos que existiam, se é que existiam, bastavam-me. Resumindo: é uma falta danada de vontade de dizer, refletir ou expressar. Tempo de reflexão, de mudança? Cansaço de fim de ano? Eu pensei em "quarto abandonado". Hum... Poeira... Bagunça... Ainda assim, um espaço meu do qual não abro mão...
19/09/2011
A AVÓ LUA
Generosidade é uma conduta que está em extinção hoje em dia, lamentavelmente. Não conheço há muitos anos a boa senhora que está sempre cuidando dos seus e fez aniversário neste fim de semana. Sei que em todas as festinhas de sua família há um quitute à disposição, de seu arsenal de doces e salgados deliciosos. Geralmente, está envolvida com o cotidiano do marido, dos filhos e netos - uma rotina que a faz cozinhar, dirigir e gerir. É uma pessoa silenciosa, discreta, que poderia ser chamada de lua, em contraposição ao brilho festivo do sol. Tão importante quanto a luminosidade, o yang da filosofia chinesa, há o yin, o lado manso e discreto da montanha e que aqui também designo a lua. Então, percebi que nem no seu dia a aniversariante se furtava em servir aos parentes. Servir, o termo que caracteriza as mães e as avós dos contos de fadas . E a avó aniversariante estava feliz, por si e pelos outros. Observadora, como a lua cheia, percebia a alegria de seus filhos e netos; discreta, como a lua minguante, não buscava a atenção para si; feliz como a lua nova. Ora, ela não é "apenas" avó e mãe. Pois no passado chamava-se vovó e mamãe àquelas mulheres que conseguiam transformar amor em generosidade sem limites. Ou seja, avó e mãe qualquer mulher pode ser, mas vovó e mamãe só mesmo as que multiplicam por dois a sílaba tônica e amam seus rebentos incondicionalmente. Creio ter percebido uma certa emoção na hora do parabéns. Um coração apertado. Lua quarto crescente...
15/09/2011
SAÚDE DOENTE
O depoimento da sindicalista me impressionou. Ela disse claramente que o governo estava mentindo nos dados que apresentava sobre a saúde. Na verdade, pouco importam os detalhes. O fato é que qualquer cidadão do Rio de Janeiro sabe que a saúde pública está um caos. Apesar do desconto oficial o jeito é apelar para planos de saúde privada. Trata-se, porém, de um paliativo que não resolve o problema. Planos caros para o consumidor e baixa remuneração aos profissionais - eis o quadro que justifica tanta má vontade com quem tem plano de saúde. Os profissionais, como recebem uma quantia irrisória de repasse, preferem os atendimentos particulares, fora do plano. Só mesmo o profissional novato, em início de carreira, propõe-se a atender de forma adequada em termos de prazo.
13/09/2011
O CALDO
O arroz estava pronto na panela. Vi a água e me lembrei das plantas, do bem que faz regá-las com o caldo obtido. Mas eu estava enrolado com questões de trabalho e o primeiro impulso foi deitar a água fora. Agarrei-me aos meus princípios e combati a pressa, a preguiça e a má vontade. E assim alguns vasos receberam a água de arroz, provavelmente, creio, cheia de nutrientes. As plantinhas agradeceram emudecidas. Eu me senti feliz por ter vencido mais uma vez as minhas limitações humanas...
30/08/2011
CONSUMO PRODUTIVO
Peguei o livro sem muita idéia do conteúdo e eis que ele se encaixou plenamente em algumas idéias que venho desenvolvendo. Penso nisso com a barriguinha cheia e os olhos pesados de sono. Independentemente do atual contexto, creio que a qualidade de vida é fundamental. Sei que há um culto ao corpo e ao bem estar, mas ao contrário do consumo conspícuo (superficial) do passado, o consumo orientado para a qualidade significa um passo adiante.
25/08/2011
COMBUSTÍVEIS
Durante muito tempo o Brasil lutou contra o etanol de milho. Em fóruns internacionais, denunciou os subsídios do produto americano e anunciou as vantagens do combustível de cana-de-açúcar. No estilo Odorico, as autoridades brasileiras praticamente anunciavam o álcool brasileiro como a solução para o problema energético do mundo. Hoje, ouvi no rádio que os americanos finalmente capitularam e cogitam comprar etanol brasileiro. Há um pequeno problema. Não há etanol no Brasil, nem na quantidade necessária ao abastecimento do mercado interno. Simplesmente, disse uma autoridade, falta cana no país. A ausência de investimentos no setor provocaram a estagnação e indicam dificuldades nos próximos anos. Definitivamente, este não é um país sério...
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