29 de out de 2012

ALPISTE, AMANHÃ

Todo mundo acalenta algum sonho secreto. Entre os mais comuns, fazer uma viagem extraordinária ou adquirir algum bem fabuloso. Desejamos muitas coisas e desde o budismo, sabe-se, o homem é uma máquina de desejos. Mas há também pequenas coisas que eu gostaria de fazer. O tempo está passando e ainda não consegui realizá-las...
Eu gostaria de dar de presente a um amigo um aparelho auditivo potente. Trata-se de uma grande figura, um senhor inteligente e generoso, mas que no momento não tem condições financeiras. Eu bem que gostaria e mais que isso: quitaria assim um débito de favor que esse senhor mui generosamente me prestou. No momento, não posso, pois é um aparelho relativamente caro e tenho outras prioridades.
Também gostaria de procurar uma advogada que tratou de um assunto meu há tempos, gratuitamente, e saber se poderia de alguma forma ajudá-la. A minha tia falecida, esta eu não posso mais levar para passear, como sempre desejei, ela se foi, é um débito de fato impagável. Na verdade, eu gostaria de presentear, ajudar, fazer algo por muita gente, muitos, simplesmente pelo prazer de vê-los felizes. A alegria alheia me satisfaz, sem demagogia.
O mundo seria melhor se todos se esforçassem pelo bem comum. Não por que Deus está vendo, ou por que haverá alguma recompensa  (como demorei para decidir se esse "por que" é junto ou separado). Mas não adianta ficar se lastimando por não conseguir fazer isso ou aquilo. Não ter dinheiro é uma boa desculpa para não se fazer nada. Programe-se para fazer o que for possível dentro de suas possibilidades! No meu caso, amanhã começo a colocar alpiste para os passarinhos do quintal. 

Um comentário:

Cafo... disse...

Vc é assim...
"A felicidade, ao contrário do que nos ensinaram
os contos de fadas e os filmes de Hollywood,
não é um estado mágico e duradouro.
Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática,
distribuída em conta-gotas.
Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali,
uma xícara de café recém-coado,
um livro que a gente não consegue fechar.
São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado
e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e
médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.
'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece',
sou adepto da felicidade homeopática.
Tenho consciência de que são momentos de felicidade
e vivo cada segundo.
Alguns crescem esperando a felicidade com maiúsculas
e na primeira pessoa do plural:
Dá pra ser feliz no singular.
Podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhados
e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

E faz parte da minha 'dieta de felicidade'
o uso moderadíssimo da palavra 'quando'.

Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena',
quando eu tiver um emprego fabuloso'.

Tudo isso serve apenas para nos distrair
e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveite o momento.
E quem for ruim de contas,
recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.
Podem até dizer que nos falta ambição,
que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam.

Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia
do que viver eternamente em compasso de espera...