24 de nov de 2010

MTC E O CURSO DO RIO

Texto rápido que escrevi para colaborar com meu amigo Eduardo:
A medicina tradicional chinesa (MTC) não segue os cânones da ciência tradicional. Amparada numa sabedoria milenar, a MTC sobrevive em função de sua comprovada eficácia. Para os antigos chineses, o universo é energia que pode ser praticada (tai-chi; hsing-i), aplicada no sentido terapêutico (acupuntura), absorvida (fitoterapia; chikung). E a saúde, então, é resultante da livre circulação de energia (chi). A energia vital anima e alimenta os seres vivos e sua ausência (yin) ou excesso (yin) seria a causa básica das doenças. Este fluxo de chi é influenciado por fatores externos (yang) e internos (yin).
O taoísmo em suas diferentes modalidades indica o caminho (tao) necessário para se atingir o equilíbrio entre o yin e o yang. A metáfora perfeita é o "comportamento" da água - o curso do rio. Suavemente, desvencilha-se dos obstáculos, segue o curso ao se adaptar ao meio. O rio é o modelo daqueles que compreendem o tao e assim prolongam a vida. A alimentação ocupa lugar central na manutenção do equilíbrio. Os gêneros alimentícios são classificados em suas propriedades ying-yang. Cores, consistências, sabores e temperaturas devem ser levados em conta no preparo das refeições.
A medicina tradicional chinesa é surpreendente ao combinar ervas e exercícios físicos, sem contar o apoio de estranhas técnicas aos nossos olhos. A utilização de agulhas para desobstrução dos meridianos (canais ou rios de chi), o diagnóstico de pulso, a combinação dos cinco elementos (hsing) em complexas situação e... o que falar da "estranha" técnica do guaxá (raspagem das costas)? Hoje, em qualquer cidade do mundo, a MTC ou as práticas como o kung fu e o feng shui são comuns. Sob a desconfiança dos adeptos da "hard science", possuem ainda assim milhões de adeptos mundo afora. A lição que nos oferece, porém, derivada de seus inquestionáveis benefícios, é que existem outras vias além daquelas que caracterizam e consagraram o modelo ocidental.

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