29 de ago de 2010

O SOUL E A MERDA

Música negra. Cresci ouvindo soul nos guetos do Rio de Janeiro. E curti muito o evento deste sábado, que ocorreu na antiga estação de trens da Leopoldina. Não é porque tive a oportunidade de escutar os "papas" do soul music que me furto de conhecer novos grupos. Tal princípio me fez conhecer vários estilos musicais e desfrutar o que possuem de bom, pelo menos a meu juízo. O dogmatismo antes de mais nada prejudica aquele que se mantém fechado às coisas do mundo. Bem, foi outro grande sábado e Badu a estrela da noite - digo, a Badu do Brasil. A cena que não me sai da mente é o cara dormindo ao relento, tendo como ventilador o bueiro. O vento forte esvoaçava os andrajos do mendigo. "Ele surdia, esquálido e macerado" - se não me falha a memória assim começava um grande romance brasileiro. Excluído da sociedade, seu conforto era ar fétido dos restos da cidade. Imundo. Anônimo. Esquecido. Sem música, sem saída, sem vida. A música negra surgiu do lamento dos excluídos. Depois se tornou um grande negócio. Mas o mendigo se vinga como pode. Defeca nas bancas de jornal ou nas esquinas dos bancos. São fezes inesquecíveis. Nem o diabo aguenta...

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