25 de mai de 2010

O RAPAZ QUE SORRI COM OS OLHOS

Um dia desses foram os ex-alunos de história. Ontem, eu aguardava a abertura do sinal e ouvi umas batidinhas na janela do carro. Era o Anderson. Disse esbaforido: "vi seu carro e precisava lhe dizer; fui convocado no concurso, vou lecionar disciplinas no curso de formação de professores". Parabenizei-o pela vitória e lhe desejei efusivamente muito sucesso. Ele abriu seu tradicional sorriso, que geralmente alinhava dentes e olhos no mesmo brilho, e correu porque o sinal já estava aberto. Segui por alguns quilômetros acompanhado por sua imagem, desprezando o conhecido percurso de casa. Anderson Morgado. Aficcionado por xadrez, polêmico e para muitos um chato. Um sujeito que sorri com os olhos, idealista, que acredita no ofício do pedagogo com sinceridade e, sobretudo, trabalho. "Vou assistir a uma aula sua, mestre. Tenho saudades..." Dizia ao seu modo: polido com quem respeitava ou reconhecia competência. Assim eu o considero, pois na verdade conheço pouco este ex-aluno de pedagogia. Não sei se fará um excelente trabalho ou não, espero que sim. Destaco apenas que sua felicidade me deixou feliz. Já ouvi muitas definições bem feitas sobre o trabalho docente. De minha parte, creio que professor é alguém que se sente feliz em colaborar com a felicidade alheia, partindo do princípio de que felicidade é uma forma de colheita, cujo resultado depende fundamentalmente de trabalho. Semear conhecimento e colher aprendizagem é uma atividade humana quase divina, pois seus resultados conduzem à transformação de homens e mundos.

Um comentário:

Cafo... disse...
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