2 de fev de 2009

CRISE

Durante o período do chamado "Milagre Econômico" o então ministro Delfim Neto dizia que era necessário esperar o crescimento do bolo econômico, para que então fosse dividido entre os brasileiros. A elite brasileira, como sempre faminta, comeu todo o bolo e o povo ficou apenas com água na boca. Acredito que "crise" seja uma das palavras que mais ouvi ao longo da minha existência. Na infância, era simplesmente "não"; durante muito tempo ouvia falar em "Deus"; mas "crise" me acompanha até hoje. Só que agora dizem que o mundo mudou: europeus e americanos do norte é que experimentam a... crise. Segundo as autoridades o Brasil está muito bem preparado e não padece deste mal; dizem até que vamos muito bem obrigado e que agora aprendam as nossas lições de economia. Devo estar louco, pois não vejo bonança alguma na realidade brasileira que, e neste sentido concordo, não entrou em crise porque na verdade nunca saiu dela! Não é porque a falida Casa e Vídeo vendia toda a sorte de quinquilharias a crédito que estamos bem ou porque existe bolsa família e "donativos" do gênero. Pior que as condições duras de vida é o cinismo das autoridades de todos os níveis que nos tratam não apenas como súditos, mas como autênticos imbecis. Outra autoridade do passado usou uma expressão interessante: Belíndia, mistura de Bélgica e Índia. Do tempo em que a Bélgica era desenvolvida e a Índia ainda não era emergente. Mas a essência da observação perdura: o Brasil é um país de contrastes, de disparidades cruéis e males aparentemente incuráveis.

2 comentários:

Aline disse...

Só posso concordar com o que escreveu...A crise já faz parte de nossas vidas...é cotidiano...O que não faz parte é ter que aturar esses empresários e políticos que pintam um panorama econômico tranquilo...Estamos a salvo? Duvido! Um país que tem mais impostos que o número de letras do alfabeto e que grande parte da população vive com um salário mínimo, deveria repensar sua posição...A crise mora na minha casa, senta no sofá e abre a geladeira todos os dias...Penso que Marx nunca foi tão atual...

Patrick Gomes disse...

É, crises constantes! "Tara por crises"! sofremos com a crise momentânea, com a crise crônica, e Obama talvez seja mais popular aqui, no Brasil, do que nos EUA!