4 de jul de 2010

A LENDA DO CORAÇÃO DE MENINO

Gosto de fábulas e me agarro à frase de Mêncio como justificativa para a minha predileção infantil. O sábio chinês disse: o grande homem é aquele que não perdeu o coração de menino. E lá vou eu gostando de Alice no País das Maravilhas e do universo Marvel, adorando o filme Peixe Grande e até Transformers. Mas toda mente sonhadora tem seu dia de aventura e...
"Chovia. Resolvi parar o carro antes de prosseguir viagem. O mar, o asfalto e o céu eram uma só pessoa. Deus parecia ter resolvido finalmente castigar os homens. Eis que um facho de luz revela sua presença. Pensei que fosse Yemanjá, a sereia e rainha do mar; ou quem sabe Mamãe Oxum, a deusa das cachoeiras; poderia ser também alguma divindade da Lagoa. Preferi acreditar em excesso de café. Como deusa brasileira tinha olhos que 'amendoavam' duas grandes jabuticabas e um sorriso cheio de mestiçagem colonial. A divindade fez um gesto largo em direção ao horizonte e os rios de chuva se transformaram de uma vez só, de água em aguardente. Então, os peixes embriagados executavam piruetas nas marolinhas de água e os trabalhadores bebiam da chuva que espumava. As plantas cantavam no mesmo ritmo, encostando seus talos e flores em harmonia. Os espinhos não incomodovam e mesmo o mundo inanimado parecia animado, banhado em tanta cachaça. Eis que de repente a luz se apagou e..."
O coração do menino bate, bate, bate...

Nenhum comentário: