8 de jul de 2010

DIETILNITROSAMINA AVASSALADORA

O universo se formou de uma nuvem de fumaça. Foi o resultado do big bang. Onde há fumaça há cigarro. Níquel. Chumbo e cádmio. A pequena embarcação era movida a flash back. Ao fundo: B.J. Thomas e Morris Alberto. Caronte morreu e o pequeno vilarejo era um pedacinho do céu. Um gato cruzou minha passagem logo ao desembarcar. Eles me acompanham. Stylistics ao fundo e a nicotina se espalhando feito esparadrapo. Betcha by golly wow - sempre! Não tenho mais tolerância à bebida. O cigarro leva acetona e eu nunca achei bacana homem que pinta a unha. Mas como posso explicar que A letter to myself me arrepia e deliro ao me deparar com uma flor de ácido cianídrico. Sem fumaça não há mágica, a lembrança não seria possível. Ela entranha, gruda, insinuante e perturbadora. Paradoxalmente, há amoníaco na composição do cigarro. Coloquei a moeda sob a língua de Corante, irmão do condutor da barca, e voltei deslizando sob a fumaça do desejo. Bebendo e bebendo a idéia do mar e sei que a hora de parar de escrever é quando o gerúndio põe a cara de fora. É o fenol, é o fenol. No centro o antigo e familiar inferno me aguardava. Hades, exultante, me mostrou o quarto: 401. Sem luz no banheiro, sem cobertor, sem ventilação. Após tanto prazer o que pode ter tanta dor? Para encerrar, uma palavra: dietilnitrosamina. Ah! esses olhos de Butano ao som de Dramatics...

Um comentário:

Jonatas Carvalho disse...

Olá João...belo blog... belos textos...sempre é bom ver um velho (no bom sentido da palavra)professor atuando fora das quatro paredes!
Abraços
Jonatas.