25 de fev de 2010

O FÍGADO

Chove, finalmente. A pele esturricada se arrepia de frio, uma sensação gostosa. Comi o fígado e não vomitei. O meu próprio fígado. E conversei com meus fantasmas a respeito. Ouvi frases emocionantes. Lembrei-me que ainda não fiz a "limpeza" anual - jogar fora as correspondências, contas velhas, carnês e coisas do gênero que ainda estejam por aqui. Não guardo fotos, mágoas ou lembranças. Mas guardo músicas e livros. Chove, ah... Vou dormir coberto de frases de celular e a estranha sensação de que Deus brinca comigo.
Vou jogar fora a carta que está num envelope de raio-x. Eu acredito nas pessoas. E como diz meu novo herói, o Dr. House, elas mentem. E mentem para mim. Mais uma vez repito meu hérói: nunca minto. Mentir para que? O que se ganha? O que se perde? Acabei de comer meu fígado e estou vivo. Tranquilo. E sem qualquer remorso. Aos poucos, surge uma prática taoísta autêntica. O fígado que se dane...

2 comentários:

MM disse...

Sábios comem o próprio fígado; tolos o próprio coração. E por causa disso é que se permitiu que o fígado de um titã fosse inúmeras vezes devorado e noturnamente regenerado. A chuva que lava a alma e a noite que tudo regenera...

Cafo... disse...

As pessoas acreditam em você...no caso, esta pessoa.
A MM está certa, só os sábios...