18 de dez de 2009

OPORTUNIDADES E COFRINHOS

Há momentos em que oportunidades são perdidas e geralmente é irreversível a perda. Por covardia ou acomodação, lá se vai uma chance de ser feliz. Resta a lamentação, o remorso, a sensação de ter sido idiota. Existe também o cansaço provocado pelos insucessos é verdade. Eu me refiro a situações da vida que podem ser profissionais, afetivas, entre outras. Ponho meu copo de vinho de lado, um legítimo St James - que só se vende em motéis assim me disseram. E vou apagar o rascunho que fiz ontem, quase um poema, escrito após uma visão deslumbrante de mulher. Simultaneamente o céu e o inferno. O céu que uma deusa trouxe ou o inferno de imaginar alguém sendo espancado e morrendo asfixiado sobre uma cama. É melhor mudar de assunto. Ao fazer umas comprinhas, percebo que as calças de homem também foram atingidas pela ambição de lucro das empresas. As femininas, já de muito tempo são tão baixas que é impossível sentar sem mostrar o "cofrinho". Mas para minha surpresa o cós das calças masculinas também está descendo. E convenhamos que "cofrinho" masculino não tem o menor charme, coisa horrorosa! Qualquer um hoje em dia se sente gordinho, pois os tamanhos G e M não correspondem aos padrões de antigamente. Lembrei-me do tempo das calças cocotas... O legítimo St James safra "com garagem e frigobar" está indo... Na sexta passada, exatamente a essa hora... E lá vem a tentação de... Mais uma vez eu penso em... Penso agora em temas sérios: dos cofrinhos aos motéis verdinhos. E o rei-filósofo de Platão servindo St James a todos os frequentadores do quarto número dezesseis...

Um comentário:

Maria disse...

Estava caminhando introspectivamente pelo calçadão, quando certo burburinho trouxe-me a realidade. Pela visão que tive pude deduzir que deveria ser alguma campanha em prol da saúde nas quais se costuma aferir a pressão arterial, medir o nível de açúcar do sangue e assim por diante. Segui...
Mais uns passos à frente e duas jovens ofegantes me abordaram. –Estamos fazendo uma pesquisa sobre sexo, se a senhora topar ganhará esse brinde. –O que é isso? –Um kit Motel. Tem óleos de massagem, desodorante bucal, camisinhas de vários sabores... –Vocês não têm uma segunda opção de brinde? Perguntei meio desconfiada. –O kit é bacana, mas estou sem namorado e... Uma dela, a mais espevitada, me olhou com um olhar cúmplice e disse: - Os produtos do kit só expiram daqui a um ano e meio.
–Sendo assim aceito a proposta. Vamos lá.
Sentamos num banquinho próximo a um coqueiro para podermos desfrutar da sombra. –Mas é oral. Tem algum problema? –Apenas sobre sexo oral? Perguntei. –Não é isso não. A pesquisa é que é oral.
-Sem problemas. Pode começar!
A menos espevitada começou a ler o questionário, enquanto a outra me olhava fixamente, talvez para julgar a veracidade das minhas respostas. –Primeira pergunta: O que você mais admira em um homem?
-O intelecto. -Esse é o apelido que costuma dar ao pênis do seu parceiro? -Isso está no questionário? –Não. Porém fiquei curiosa. Não pude deixar de dar uma risada. –Claro que não! Isso seria brochante. Ademais nem sei qual é o aumentativo de intelecto. Vocês sabem? Refiro-me a inteligência mesmo. –Mas a pesquisa é sobre S E X O e a senhora vem me falar de
I N T E L E C T O. -A palavra me pareceu bem maior do que de costume. –Vou explicar:
Gosto de ser conquistada, de uma cantada ousada, de um olhar atrevido. Gosto de transar sem pressa, de uma boa conversa, de “Crime e Castigo”. Gosto de beijar na boca, de uma paixão louca, de um turbilhão. Gosto de palavras incertas na hora certa ao pé do ouvido. Gosto de amassos, carinhos, dormir bem juntinho e sou fiel como um cão. Só não curto traição. – Obrigada senhora! Acabou de ganhar o kit Motel. Contudo decidimos fazer a pesquisa com outra pessoa. É sobre sexo.