15 de dez de 2009

AMANHÃ

Dizem as más línguas que dirijo mal - quase um trocadilho. Mas devo admitir que o carro "chacoalhou" mais que o habitual nas ultrapassagens. E de trocadilho em trocadilho encerro o dia. Deixo registrado o reflexo da cidade sobre a Lagoa de Araruama, que captei ao respirar fundo o ar quase gelado que penetrava as frestas da janela. Eu estava em Cabo Frio e contemplei a cidade ao som de um velho rock que martelava meus neurônios. Descobri, nesse exato instante, que jamais vou deixar de escrever poesia, mesmo que não use mais o formato de versos. Minha vida tem sido um poema, entre desgraças e momentos inesquecíveis, pessoas belas e canalhas, demônios e deuses - lá vai o Peixe Grande. Estou tão vivo que chego a ter tesão pelos pensamentos que terei amanhã...

Um comentário:

Maria disse...

"Escrevo, logo existo". Paráfrase? Silogismo? Ainda mais que escrevo poesia!
Meu texto não carrega a frieza das lápides, nem a "imparcialidade" de uma notícia. Definitivamente não!
Cresci escutando: "minha filha, tudo tem sua poesia". E foi assim que diversas vezes perdi a condução ao admirar um pequeno formigueiro que havia numa parada de ônibus, que costumava frequentar. Sempre me impressionou o fato de uma formiguinha conseguir carregar uma folha que parece ter um peso tão maior que o seu. Que parte de mim é educação? Que parte é fruto de uma insaciável vontade de me sentir viva?