27 de jun de 2009

WANNA BE... OU MICHAEL II

De início uma voz adocicada de menino. O corpo cresceu, a mente e a voz continuaram infantis e aos poucos ganhou rebeldia - de certa forma artificial. Não há poesia, é preferível a nós brasileiros contarmos apenas com a imaginação. Dance, sonhe, relembre - conduzido pela voz, pelos gritinhos ou embalos do som. Wanna Be Startin' Somethin'...
O carro preto deslizava na pista molhada entre Araruama e Cabo Frio. Um alazão, voando, espargindo água de chuva aqui e ali, cortando os carros como facas de bolo. Dentro do carro "Wanna Be Startin' Somethin'". A paisagem lá fora parecia uma sequência de slides sem vida. Pessoas bebiam, buscavam se aquecer ou se esquecer. Wanna Be Startin' Somethin'. Disseram-me que há perdas reais e que Michael Jackson não é real, que suas músicas vão permanecer sem ele. Talvez. Mas eu tenho a impressão de que suas músicas são mais reais ou pelo mais importantes. Num mundo de tantas aparências, a impermanência (a ilusão) é a única realidade. Então... Wanna Be Startin' Somethin'.

2 comentários:

Aline disse...

É a única realidade e o lugar mais seguro...

"Eu costumava dizer "eu" e "eu"
Agora é nós, agora é nós
Ben, a maioria das pessoas mandaria você embora
Eu não escuto uma palavra do que eles dizem
Eles não veem você como eu vejo
Eu gostaria que eles tentassem
Tenho certeza de que eles pensariam novamente"

Soraya disse...

Ilusão... perdas reais...
“Num mundo de tantas aparências, a impermanência (a ilusão) é a única realidade”
Estou pensando nisso... o que temos do mundo e do outro além da nossa própria interpretação sobre eles? E se o vemos a partir desse enquadramento delimitado por nossa história, desejos, medos, etc, será possível algo além da ilusão? De alguma forma tudo é ilusão, ou não, para o dono do olhar ele sempre parecerá real mesmo que não seja...