11 de dez de 2008








Eu ouvi então a pergunta: achamos que você é solitário. Lembrei-me dos versos da canção:

"Tenho o mesmo segredo
Dos malditos solitários
Só a noite é minha amiga
A quem friamente confesso
A natureza noturna
Dos meus infernos diários"
Existem muitos tipos de solidão. Ontem ouvi um professor amigo dizer: "os pós-modernos dizem que a fome não existe, como se não houvesse um traço biológico na fome". Como quase sempre, discordei dele. Existem tantas fomes e mesmo a fome de alimento ele nunca conheceu - filho da classe média que é. Na África eles sabem o que é fome, no Nordeste, em alguns rincões também. Aquele estado em que a morte é uma saborosa sobremesa. E há a fome que não a de alimento, daquelas necessidades em hierarquia propostas por Abraham Maslow.
"Nem o poeta ordinário
Nem literato de prêmio
Eu tenho o mesmo segredo
Dos malditos solitários
Ninguém sabe a natureza
Dos meus infernos diários"
Sou solitário porque tenho fome - fome de profundidade, fome de luz e talvez de sangue. A solidão é a condição de qualquer um que pense além do ordinário, que vá contra as regras da sociedade. A solidão é o sunya, o vazio, o perigo do esclarecimento e da morte. "Ninguém sabe a natureza dos meus infernos diários". Você tem razão, moça de belo sorriso. Sou solitário porque é melhor estar só que mal acompanhado. E me sinto feliz por não necessitar de gente a qualquer custo, mesmo que eu
"Tenho o mesmo segredo
Dos malditos solitários
Só a noite é minha amiga
...
Nem a mulher que me ama
Sequer a moça de gênio
Nem a de riso argentino
Nem a de beijo flamenco
Nem a fã no seu afã
Nem as bonecas do tempo
...
Eu tenho o mesmo segredo
Dos malditos solitários"

3 comentários:

Aline disse...

Mas...e se o mundo acabar amanhã...então...

Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu, assim, sem você

Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu, assim, sem você...

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim...

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu, assim, sem você

Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu, assim, sem você...

Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos

Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração...

Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo...

Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu, assim, sem você

Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu, assim, sem você...

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim...

Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo...

Anônimo disse...

NOSSA QUERIDO PROFESSOR, BELAS PALAVRAS...Fabi

tata disse...

...bonitos estes versos...e de solidão basta a minha...são tanas mudanças...mais deixa p/ lá...