24 de out de 2009

A pesquisa no doutorado me consome. Cada parágrafo é um pequeno parto... Quem vê um trabalho pronto nem imagina o esforço e o sacrifício exigido. Claro que tudo é a seu tempo. Um trabalho de graduação tem a dificuldade inerente ao contexto, assim como não existe nada mais complexo que a alfabetização de crianças. Vou deixar um pequeno trecho, outro luxo que posso me dar por não ter muitos leitores. Está saindo do "forno":
[...] "O profeta do juízo final se chama Samuel Huntington e criou a expressão de algum sucesso 'choque de civilizações', ou o confronto derradeiro entre o a modernidade e o atraso – poderíamos aduzir por nossa conta, entre a luz e a escuridão. A luta contra os “bárbaros” já recebeu diferentes nomes e não é nenhuma exclusividade ocidental, baseia-se em preconceitos e interesses que têm alimentado historicamente os conflitos entre os povos. Os chineses construíram no passado a Grande Muralha que agora tem nova versão na fronteira entre Estados Unidos e México. Mas como acentua Said (2003; 2007) em relação ao 'orientalismo', as diferenças são baseadas em generalizações grosseiras, criadas a partir de juízos superficiais. O outro está em toda parte e não apenas nos níveis exteriores, pode ser o vizinho ou à nação distante, mas também está dentro de cada um – o inferno é sempre o outro não importa em que número ou onde está. Ademais, na atualidade, chineses, muçulmanos e gente de diferentes etnias são visíveis nos labirintos de qualquer grande cidade, sem contar os outros criados por exclusão interna e agrupados em guetos, bandos e tribos. Não é mais possível exportar os 'indesejáveis' para colônias distantes; o que explica pelo menos em parte a criação de leis que assegurem a convivência nos aglomerados urbanos. Leis, políticas educacionais e reflexões de intelectuais: não apenas sob defesa, o outro agora está na moda. A ascensão da diferença talvez referende outra perspectiva igualmente polêmica, a de que não seja possível mais falar de modernidade e sim de pós-modernidade. Referência no assunto, para Lyotard (1986) há uma ruptura visível de falência no projeto moderno, que pode ser traduzido na descrença às grandes narrativas e, em última análise, à racionalidade científica. Transformada em discurso, a busca pela verdade seria um exercício de poder, contra o qual a condição pós-moderna se rebela na pluralidade das manifestações da cultura. E a ciência não ocupa lugar privilegiado neste processo, é apenas uma modalidade a mais de compreensão e não sua instância legitimadora. A polêmica que opôs Habermas e Lyotard se fez em torno das possibilidades da razão humana em se emancipar, nos termos de Habermas, assim definida (a polêmica): [...]"

Um comentário:

Mari disse...

"...por não ter muitos leitores."
Infâmia!